Cabernet Savignon – Força, potência e pulsação

Jimi Hendrix, "o" Cabernet Savignon

Dia desses, numa noite incrível, um maravilhoso bate papo entre amigos, surgiu a questão: ser um tremendo músico, não significa ser artista. 

O que é ser artista? Eu me senti perdida, pois eram grandes músicos – alguns artistas para mim – falando muita coisa.  Falei, mas ouvi muito.  De repente, Jimi Hendrix regia a noite e tornou-se minha referência para transportar tudo aquilo para os vinhos…  Ufa!  Estava em terreno conhecido!

Jimi Hendrix, “o” Cabernet Savignon da música: expressão, potência, força e pulsação!

Esta uva, originária de Bordeaux (Médoc), ao emprestar sua personalidade ao vinho que nasce, dá cor, volume, intensidade, riqueza de sabores e aromas.  É conhecida como a Rainha das Uvas, sabe o Jimi Hendrix?  O Rei da Guitarra! 

Ela se adapta bem onde é plantada, viaja muito bem!  Independe de solo, clima, é resistente.  Claro que nada de extremos, nem muito frio nem muito calor.  E sua afinidade com a madeira?  Fica de 15 a 30 meses e adquire mais riquezas aromáticas (madeira, cedro tostado, baunilha) e sua cor ganha tom com o tempo, pois sua estrutura permite vinhos de longa guarda, quase eternos! Os Grands Crus Classés de Bordeaux.

Um vinho cabernet savignon varietal, isto é, a cabernet se expressando sozinha, é impregnado por aromas fáceis, mas marcantes: frutas vermelhas (cereja, amora, morango), frutas pretas (ameixa, groselha preta), especiarias (cravo, pimenta em pó), tostado, café, menta, hortelã e, dependendo da região onde é plantada, pode-se encontrar até anis e pimentão. 

Quando esta uva divide a cena (em cortes ou assemblages), especialmente no famoso corte bordalês (Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Petit Verdot), proporciona o nascimento de belos vinhos complexos, cheios de estilo, elegância.

No final da noite, senti que a Cabernet Savignon e a música Red House do eterno Jimi Hendrix poderiam explicar bem o que é ser artista:

Usar suas características (a técnica do músico, a “personalidade” da uva), aliar aos sentimentos e sensações do momento (a uva e seu famoso terroir, o clima do show) e expressar tudo isso, sem medo de ousar, com entrega total e criar algo único e que não se reproduz amanhã ou depois.  Mesmo tocando a mesma música ou elaborando um “mesmo” vinho, aquela safra é única, o que expressa o melhor do músico e do vinho que “está” artista!

Para quem ousar experimentar, aqui estão 3 safras de Red House por Jimi Hendrix: mesma música, mas expressão de sentimentos e sensações completamente diferentes!

San Diego ’69 / Paris ’68 / Album Are you Experienced? ’67

Quanto as sugestões de vinhos desta uva, quero ouvir o que vocês sugeririam…

(dedico este texto ao momento Umas e Ostras)

O pão! Sim, hoje falarei do pão, alimento milenar, impregando de história. O companheiro do vinho!

Pães da Escola do Pão

Há momentos singulares na vida que palavras não expressam, mas um olhar, um sorriso, a troca de olhares, até mesmo um “Hummmm” meio suspirado – se é que esta expressão existe – acompanhado de um olhar meio fechado digno de deleite, prazer após provar uma mini baguete quentíssima passada, esfregada num queijo gratinado. Estas imagens descrevem minha sensação ao conhecer a Escola do Pão.

O lugar é mágico por si só, aconchegante e há uma fada, meio bruxa do amor e carinho – impreganda de sensações que não hesita em compartilhar – que nos recepciona quase levando ao completo encantamento, dá vontade de apresentar ao mundo Clécia Casagrande. Seu olhar azul pacificador, mas que nos provoca com questionamentos da vida. Esta mulher emana dedicação e força.

Assim vivenciei o pão neste lugar único. Pão de todas as formas, sabores, amores. Aqueceu minha alma, celebrou meu dia. Impregnou minha memória.

Eu que sempre pensei no pão apenas acompanhante do vinho, percebi que são companheiros, que “com”partilham.

Um café da manhã perfeito!

Quem tiver a oportunidade – ou a curiosidade que me moveu até lá -, vale conhecer a Escola do Pão e a alimentadora de almas Clécia.

Um dia que sempre me pareceu cinzento (Finados), a partir de hoje, ganhou muita cor!  Um momento de reverência aos ancestrais.

(dedico ao meu grande companheiro de vida, mestre das sensações e sabores este texto)

Minha idéia é montar uma série “A personalidade das Uvas” e mostrar um pouco do que pode encontrar em vinhos de acordo com sua uva – ou suas uvas!

Conhecer o vinho é saber, antes de tudo, sua língua; entender o que ele fala – muitas vezes sussura, como os espumantes.

Começo pela uva que me agrada em vários aspectos, especialmente por ser estrela dos tão agradáveis Champagnes e de excelentes espumantes brasileiros.  De difícil cultivo, complexa, mas, passando esta etapa, ela só proporciona prazeres.

Diria que a Pinot é uma uva de personalidade forte, pequena, difícil lidar, pois necessita de um clima frio, mas nem tanto, e sua maturação acontece quase num piscar de olhos.  Encontrar um lugar que esta uva se adapte bem é tarefa para poucos, especialmente se querem extrair o seu melhor – seu aroma delicado, sofisticado, sensual.

Esta francesinha, nascida na região de Borgonha (sudeste de Paris), hoje se expressa, em outros locais do mundo, de maneira muito interessante em vinhos californianos, neozelandeses entre outros.  Aqui no Brasil é utilizada em excelentes espumantes. 

Entender esta uva requer ampliar a percepção, pois a Pinot Noir, de maneira sutil, se mostra complexa e exuberante.  Porém, ouso dizer que quem a entende, vivencia sensações únicas!  Seu visual é pouco intenso, diria que é meio pálida, mas seus aromas aguçam o paladar e, ao provar, não deixa a desejar!!!

Se quiser viajar mais um pouco em seu aroma, procure por framboesa, cereja, morango maduro.  Se esta uva passou em madeira, pode encontrar um pouco de canela, baunilha quem sabe.  Cada momento ela te dirá algo, te mostrará um aroma.

Se interessou?
Para começar, indicaria o vinho Bourgogne Pinot Noir 2007 Maison Champy, uma legítima Pinot Noir francesa!

Aos homens, uma dica: entenda um vinho Pinot Noir e saberá nos compreender como ninguém! (risos)

Divirta-se!

Geralmente, quando um amigo me faz esta pergunta, congelo, pois me vem a cabeça: Depende! 

Para os que não conhecem, será uma aventura num mundo desconhecido; os que conhecem um pouco, caberia uma sugestão, mas vinho é como roupa: acabamos nos identificando num determinado “estilo” – seja determinado por um tipo de uva, por uma região ou tudo isso junto num belo caldo escarlate – ou borbulhante: o vinho!

Pensando nos que não conhecem, resolvi escrever sobre como eu escolho vinhos que NÃO conheço.  Claro, vinho, assim como quaisquer outras coisas que dependem dos nossos sentidos para gostarmos, não foge a regra: se degradar alguns dos sentidos, já olhamos torto!  Porém sempre me permito experimentar, vivenciar o vinho.  Ah! E vale até rótulo!  Uns irão me matar por esta declaração, outros pensarão “Eu também!” e sorrir, aliviados por não serem os únicos. 

Vamos então eleger nossos vinhos!

Ao receber uma lista de vinhos em promoção – veja lista abaixo dos grandes 100 vinhos da Wine Emporium -, fico pensando: o que comprar?  O que experimentar desta vez?  Me sinto olhando as prateleiras das lojas de vinhos ou mesmo num supermercado!

Penso em um país e depois vou para os tipos: espumante, branco, rose e tinto.  Limitarei até R$60,00 por garrafa e um total de R$300!  Penso no custo x benefício, pois quanto mais garrafas, mais oportunidades de conhecer algo novo e que me agrade.  Assim começo a garimpar! 

Grécia seria um bom começo…
Espumantes… Não tem deste país na lista! 
Branco… Fora do meu limitador preço. 
Rosé: Boutari Rosé Sec TO Macedonia 2007 – Grécia – R$ 39,00.  O primeiro da minha lista!
Tinto: Naoussa OPAP 2006 Boutari – Macedonia/Grécia – R$ 48,00.  Conheço o 2004, vale experimentar o 2006!
Vinho de Sobremesa: Mavrodaphe of Patras OPE Andreas Cambas – Peloponeso/Grécia – R$ 39,00

    

Os primeiros escolhidos!

Ainda tenho um saldo de R$174!
Proximo país…  A escolha agora é sua!  Divirta-se!

Indico, desta lista, vinhos que conheço e vale experimentar – até R$60,00:

  • Espumante:
    - Angheben Espumante Brut – Encruzilhada do Sul/Brasil – R$ 40,00
    - Blanc de Blancs Comte d’Ormont Brut Domaine Guy Saget – Loire/França – R$ 55,00
  • Branco:
    - Giménez Mendez “Las Brujas” Sauvignon Blanc 2008 – Canelones/Uruguai – R$ 28,00
    - Lidio Carraro Dádivas Chardonnay 2009 – Encruzilhada do Sul/Brasil – R$ 32,00
    - Légende R Bordeaux Blanc 2007 Domaines Barons de Rothschild – Bordeaux/França – R$ 54,00
  • Rosé:
    - Rosé d’Anjou 2008 Château de la Mulonnière – Loire/França – R$ 44,00
  • Tinto:
    - Naoussa OPAP 2006 Boutari – Macedonia/Grécia – R$ 48,00 – conheço, o 2004, excelente!
    - Angheben Barbera 2008 – Encruzilhada do Sul/Brasil – R$ 34,00
    - Kaiken Reserva Malbec 2008 – Mendoza/Argentina – R$ 32,00
    - Innominabile Lote III Villaggio Grando – Santa Catarina/Brasil – R$ 48,00
    - Urban Ribera Tempranillo 2007 O.Fournier – Ribera del Duero/Espanha – R$ 68,00

Para os que quiserem ir um pouco além dos R$60,00, de olhos fechados, experimente:

  • Espumante:
    - Cava Jané Ventura Brut Nature – Catalunya/Espanha – R$ 75,00
    - Crémant d’Alsace Chardonnay Brut 2006 Dopff au Moulin – Alsace/França – R$ 90,00
    Para amantes de espumantes, estes são fantásticos!
  • Branco:
    - Thalassitis Oak Fermented 2006  Gaia – Santorini/Grécia – R$ 98,00
    - Alvarinho Palácio da Brejoeira 2006 – Minho/Portugal – R$ 100,00
    Aromas inesquecíveis!
  • Tintos:
    - Ònix Classic 2006 – Priorat/Espanha – R$ 83,00
    - À/N 2 2007 Ànima Negra – Mallorca/Espanha – R$ 103,00
    Depois dos gregos, amos os espanhóis!

Espero que se aventurem e, depois, me contem suas experiências e vivencias!

Sinto, cada dia mais, que vinho é assim mesmo: se permitir.  Há os conhecidos, mas podemos nos permitir ir além, sempre!

Salut!

 Clique aqui e veja lista dos 100 Grandes Vinhos da Wine Emporium queinspirou este post! Leia o resto deste post »

A proposta deste evento é falar dos nossos, mas tão desconhecidos, vinhos do Brasil.  Compartilhar minha experiência ao prova-los, provocar os sentidos dos que participaram e, para acompanha-los, muito boa música do Trio Irajazz com participação de Claudia Holanda – MPB, bossa e excelente instrumental – Marcelo Nami (guitarra), Reinaldo Pestana (bateria) e Jorge Oscar (baixo Acústico).

Sentir e ouvir o vinho: busco transmitir minhas sensações a cada aroma que “ouço” e cada cor que “sinto”.  Vivenciar a experiencia do vinho e compartilhar a cada evento.

Vinhos da Wine Emporium: 

 
 
 

Inominable Lote III, Angheben Barbera 2008, Dadivas 2009 e Espumante 130

Os Sabores da Noite

Espumante 130 da Casa Valduga – Serra Gaúcha | Dadivas – Chardonnay 2009 da Lidio Carraro – Encruzilhada do Sul – SC | Angheben Barbera 2008 da Anghenben Vinhos Finos – Encruzilhada do Sul – SC | Inominable Lote III da Villaggio Grando – Campos de Herciliópolis – Água Doce – SC.

Música:

Trio Irajazz (Pestana – bateria, Marcelo Nami – guitarra e Jorge Oscar – baixo acústico) e participação de Claudia Holanda

Petiscos:

Ziza Alimentos (mini crocantes de creme de bacalhau, pães artesanais de calabreza, frango e queijo, folheados de damasco e cream cheese e ameixa com bacon + mousses 4 queijos e atum).

.: Contando um pouco de cada vinho :.

Espumante 130 – este espumante é a história de uma familia que plantou, no Brasil, uma bela história há mais de 130 anos!  Sua produção segue o método tradicional (champenoise), as garrafas ficam quietinhas num lugar para lá de encantador entre 48 e 60 meses.  Além de muito agradável na boca, seu aroma lembra tostado de pão, que, para muitos, provoca uma sensação de conforto e prazer. 

Dadivas 2009 – um vinho branco de um amarelo ouro intenso e aromas bem tropicais.  Abacaxi, pera e tantos outros aromas explodiam no nariz, alguns sentiam na boca.   Para este vinho, os que ousaram experimentar, o mini crotante de creme de bacalhau provocava o paladar divinamente.  Para os que não experimentaram, fica a provocação para sua imaginação! 

Angheben Barbera 2008 - o vinho mais elogiado da noite!  Eu diria que sua elegancia o levou ao patamar de vinhos nobres.  Uma bela surpresa brasileira expressando a famosa Barbera, uva do Piemonte (Italia), em terra brasileira.  A cor… Intensa!  O aroma… denso como os acordes do baxo acústico… Na boca… Envolvente!  Quer mais? 

Inominable Lote IIIInteressante e curiosamente provocante.  Este vinho de 6 uvas diferentes de diferentes safras (2004 a 2007) desafia por sua complexidade, mas proporciona uma agradável experiencia.  Com o pão de calabreza dispensa qualquer explicação.  Basta sentir! 

.: A música, a voz: noite para lá de agradável :.

Trio Irajazz dispensa apresentação, basta ouvir e sentir.  A voz da Claudia Holanda atribuiu intensidade e harmonia a noite intimista.

Marcelo Nami, Pestana e Jorge Oscar

Batida e acordes que nos fazia viajar!

Integração: voz e um belo instrumental

Voz intensa!

A noite mágia aconteceu no aconchegante Espaço Ideal, no Centro do Rio!  Perfeito para boa música, ao lado de amigos e acompanhado de excelentes vinhos.

Espaço Ideal - Aconchegante!

Bons momentos!

Este projeto conta com a participação e patrocinio da Roncato Brasil que ofereceu uma mala de bordo.

Roncato Brasil - Ganhadora da noite

Wine Emporium sorteou 3 vinnhos.

Wine Emprorium - Os ganhadores

Ainda tivemos sorteio do CD da Claudia Holanda.

Ganhador do CD

Noite para se divertir, ampliar os sentidos e, principalmente, conhecer um pouquinho dos excelentes vinhos do Brasil! 

Com o projeto Vinho, Música e Sabores procuro divulgar boa música e compartilhar minha experiencia com o vinho: uma aventura Inominable!

Até o próximo!

Ahnis Fraga

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